ONG ajuda quem busca desvendar a própria história

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Serviço é procurado principalmente por quem foi abandonado na infância e agora deseja encontrar os pais biológicos

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Foz do Iguaçu - O comerciante José Frederico Welter, 55 anos, sabe pouca coisa sobre sua origem. Há mais de 40 anos ele tenta descobrir onde nasceu e quem são seus pais biológicos. “Dizem que nasci em Santa Rosa (RS) e que o nome da minha mãe biológica é Maria Geni Brum”, conta. Filho adotivo, a única certeza que tem é que morou no Rio Grande do Sul, de onde saiu em 1974 para viver em Foz do Iguaçu.

Hoje casado, pai de três filhos e com uma neta, Welter guarda uma pontinha de esperança de realizar seu sonho. “É uma coisa que faz falta. Às vezes dá impressão de que alguém vai chegar”, conta.

No Brasil, há milhares de pessoas na mesma situação de Welter: querem descobrir suas origens, não com intuito de abandonar quem os adotou, mas conhecer a própria história. Para ajudá-los, o comerciante gaúcho José Ricardo Andrade Fischer, 44 anos, criou uma associação sem fins lucrativos chamada Filhos Adotivos do Brasil.

Formado em Direito, Fischer também é filho adotivo. Durante 20 anos, fez buscas em cartórios e órgãos públicos até localizar a mãe, que hoje vive em Viamão (RS). Agora ele procura o irmão gêmeo, que soube existir depois de conhecê-la. Após a experiência bem-sucedida, em 2007, Fischer abriu a associação e elaborou um site. Pelos cálculos dele, ao menos nove em cada 10 filhos adotivos procuram os pais. E depoimentos postados no site mostram que, em geral, eles não guardam ressentimentos. “A maioria dos que consegue rever os pais biológicos passa a manter uma relação de amizade com eles”, conta Fischer.

Desde que foi criada, a associação ajudou a localizar 391 pessoas, entre pais, mães, irmãos e outros parentes. Atualmente, 1,5 mil pessoas estão cadastradas na página à procura da família biológica. As buscas são feitas em cartórios eleitorais, na Receita Federal ou qualquer órgão público que tenha dados sobre a família. Baseada na nova lei de adoção, que assegura o direito aos filhos de conhecer os pais biológicos, a ONG chega a acionar a Justiça quando algum órgão não presta as informações solicitadas. No site também são divulgados o serviço e os nomes de quem quer encontrar os pais, irmãos ou outro parente.

Além de localizar as pessoas, a associação oferece suporte para quem pretende reencontrar a família. São feitas reuniões e encontros entre filhos adotivos para prepará-los. Há também assistência psicológica e jurídica gratuitas para quem precisa. Hoje a associação tem escritório em Porto Alegre, São Paulo e Rio de Janeiro e pretende montar outro em Foz do Iguaçu. A entidade se mantém por meio de doações e também da realização de cursos sobre adoção para pais interessados.

 

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